Emoção marca encontro entre maestro da Ossca e alunos da rede pública


Emoção é a palavra que resume o bate-papo do maestro da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina (Ossca), José Nilo Valle, com os alunos da EEB Francisco Tolentino, de São José. O encontro foi cheio de aplausos, sorrisos e até lágrimas. "Guardem com vocês a música como um tesouro, que vai ajudar nos momentos de alegria e de tristeza”, começou o maestro.


O palco para esse encontro foi o teatro mais antigo do Estado, o Adolpho Mello, no Centro Histórico de São José. Na manhã do dia 21 de outubro a plateia se encheu de olhos e ouvidos atentos dos cerca de 200 estudantes da Escola Estadual Básica Francisco Tolentino. Eles se revezaram em três turnos para evitar lotação do espaço e garantir o cumprimento do protocolo de controle da pandemia.


O maestro falou para alunos desde o quarto ano do ensino fundamental até a segunda série do ensino médio. Num papo informal, a conversa envolveu a composição básica de uma orquestra, os músicos eruditos da história, e alguns conselhos. “A música disciplina, modifica as pessoas”, proferiu o maestro para a plateia atenta. Ele também deu a sua dica para um futuro promissor. “Para ser um músico ou mesmo para ser alguém na vida, é preciso TTVD: talento, tempo, vontade e determinação”, aconselhou.


Claro que também teve música. Juciane Barbosa no violino, Tiago Guarnieri na viola, e Altamiro Silva no clarinete entregaram o que todos esperavam, música de qualidade. Mesmo que tenha sido pouca, ela foi suficiente para provocar nos alunos admiração e curiosidade. Naquela manhã, o Theatro Adolpho Mello se encheu de euforia, daquela que só se vê em quem está aprendendo algo novo.


Juciane estava no palco, mas também podia se ver na plateia. Ela, que aos 22 anos faz graduação em violino na UDESC, começou a tocar aos 10 anos, por pura curiosidade, já que não tinha músicos na família. Mais tarde foi a vez da irmã e do irmão mais novos se encantarem com as cordas eruditas, ela no violino e ele no violoncelo. “E a gente foi crescendo juntos na música”, relata com poesia a jovem artista.


O maestro não escondeu a satisfação de ver a plateia cheia naquela manhã. “É um momento único, porque a gente tem a oportunidade de chamar a atenção da nossa criança do nosso jovem, para uma música que, para eles, parece um mundo totalmente adverso, difícil. Temos que aproveitar esse momento para despertar esse sentimento de amor pela música, mas também pela Orquestra”.


As lágrimas de que falamos lá em cima vieram justamente do maestro, que, com certeza, era a pessoa com mais experiência no teatro naquela manhã e, mesmo assim, não perdeu a sensibilidade para perceber os momentos valiosos da vida. Ele se emocionou ao aconselhar o jovem público: mantenham um instrumento em suas mãos e não se afundem nas drogas.


“Me emocionei porque a gente vê tantos jovens que são massacrados pela droga, mas se eles tiverem um instrumento na mão, não vão ter tempo de pensar na droga. Porque, no momento em que se está com o instrumento na mão, se está em outro mundo, em outra esfera. É uma forma de fugir da ociosidade, da preguiça mental”, ensinou o regente da Ossca.

E foi tanta beleza e alegria que resolvemos deixar que as pessoas falem por elas mesmas, reproduzimos abaixo os depoimentos colhidos naquela ensolarada manhã de quinta-feira, em que os alunos da EEB Francisco Toletino aprenderam e ensinaram com o maestro José Nilo Valle. O evento foi uma contrapartida social estabelecida pela Lei de Incentivo à Cultura, que viabilizou a realização do concerto Beethoven 250 anos, realizado pela Ossca em 11 de setembro, no Centro Multiuso de São José.




Adriel Guimarães Assis, primeiro ano. Toca violão, guitarra, piano, flauta Meu sonho é ser psicólogo, mas eu amo a música, começou com um hobbie mas virou minha paixão. Se eu for convidado para tocar em uma orquestra eu não vou hesitar, se não me pagarem nada, do que me importa dinheiro? Seria uma honra participar. Se vier a virar uma fonte de sustento, eu acho que largo a psicologia, sem dúvida.

Gostei, principalmente no final, que era o que eu mais queria ver, eles tocando. Orquestra ao vivo nunca tinha visto. Gostei bastante, mesmo que tenha sido simples. Sempre gostei de música de orquestra, eu produzo em casa música desse tipo, mas de maneira leiga e muito simples, nem se compara à Orquestra. No quesito harmonização, eu não conheço muito, não me dediquei tanto aos estudos, coisa de que me arrependo e agora vou começar a fazer mais.


Brenda Batista, sétimo ano Achei muito legal e bem produtiva, porque a gente conhece um pouco mais dos instrumentos e, querendo ou não, é uma coisa bem divertida para se fazer com a turma toda. Nunca tinha visto (uma orquestra), só em televisão. Eu acho que a música pode ter vários sentidos e que a gente tem que entender um pouco de cada tipo de música e dos instrumentos.


Bernardo de Souza, quinto ano Eu achei muito legal, gostei muito do violino e do clarinete.


Francisco Marque, diretor

É muito importante para as crianças terem contato com a arte e com a música. A gente fica muito feliz com a abertura do Theatro, uma riqueza para o nosso Centro Histórico e a nossa escola.


Evelise Furtado Koerich, coordenadora pedagógica

Nós buscamos conhecimento, queremos valorizar a reabertura do Theatro Adolpho Mello, queremos ser participantes ativos do projeto que aqui se instaura, inclusive na praça de São José, e qualquer convite que venha do Theatro Adolpho Mello, a escola vai participar. O que nos convidarem para ofertar conhecimento e cultura, a escola vai participar. Nossa escola está sempre à disposição de novos convites, para apoiar e conhecer, porque muita gente aqui nunca teve acesso a uma orquestra. Quem sabe não temos aqui alguém que seja uma artista, não é? A gente acredita!


Fundamental essa atividade, socializa o conhecimento, a música. Importantíssimo para os alunos, principalmente porque a escola tem dificuldades de recursos, como todas as instituições públicas. Todo momento que a gente pode sair e ampliar o currículo da educação básica, é fundamental, contribui muito para a experiência estética que eles vão ter com a música fora do ambiente escolar. É um contato com as artes que eles não têm oportunidade, de conhecer a música erudita. Essa experiência mais coletiva, mais ampliada, será de extrema importância. Muito importante que a gente possa futuramente ampliar os projetos e tornar a escola uma parceira frequente da Orquestra.


Bruna Fonseca, professora dos sexto, sétimo e oitavo anos Fico extremamente feliz porque é uma oportunidade para os alunos estarem em contato com a arte e cultura, que é extremamente importante para eles, na idade deles. Com certeza vamos trabalhar esse encontro depois em sala de aula.


Teresinha Zanella, professora da educação especial

Confesso que eu acho muito válido trazer os alunos. Como eles estão orientados para esse momento, eles vão se encher de conhecimento, o que é muito importante para nós debatermos depois em sala de aula.


https://www.youtube.com/watch?v=_H9f-QMTOsw

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